terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Do fundo do baú.

Houve uma época em que tive uma produção literária bastante densa. Bem de acordo com meus dias de confusa garota dark (daquelas que só andam de preto e fazem cara feia para qualquer mortal que ouse nos olhar nos olhos). Remexendo nos meus escritos daqueles dias, escolhi um texto curtinho para aqui postar e lhes oferecer um vislumbre da minha pessoa naqueles anos obscuros.
Enjoy.

Poema de palavras


Contas de pérola no terço emaranhado
Em líquidos dedos de mármore.
Façam-me suspirar no violento contraste
De branca carne contra o sangüíneo veludo

Onde repousam breves marcas
De furiosos joelhos flexionados.
Gritando os olhos injuriados,
As ladainhas mudas de minha boca

Jamais ouvidas por matéria sacrossanta.
Meu apelo cai por terra,
E sobra-me o mero silêncio de velhas épocas.

Em rancores, emudeço teimosa
Sob o justo ar de sua graça,
No cálido altar de minha alma.

10.07.95

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